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Aniversário de Ione Borges - 2007

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Ione Borges, apresentadora do Pra Você, já mostrou seu talento não só nas telinhas. Com 12 anos, já cantava e desfilava. Trabalhou por dez anos como modelo e se formou em jornalismo. Na TV Gazeta, começou como apresentadora do Mulheres ao lado de Claudete Troiano. Depois ganhou seu próprio programa, inclusive com o nome 'Ione'. Antes de comandar o Pra Você, ainda com seu programa semanal, Ione Borges foi entrevistada pela Revista Maturitá Brasil. Confira abaixo os melhores momentos da entrevista.

MB: Tem alguma outra carreira que pensou em seguir caso não fosse manequim nem jornalista? Ou algum sonho não realizado?

IONE: Sonho não. Eu me formei em jornalismo como eu queria, comecei em televisão desde menina. E bem no comecinho, com 12 anos, já desfilava e também eu cantava. Meu pai era músico, aliás toda a minha família era muito musical. Eu me apresentava em programas infantis cantando. Sempre fui muito afinada, tanto que, de vez em quando, dou umas cantadas de ladinho no meu programa. Ou atriz ou cantora. Cheguei a fazer um pouquinho de teatro, uma "participaçãozinha" na novela Meu Pedacinho de Chão, de Benedito Rui Barbosa, e fiz cinema. Eu era muito novinha. Seria sempre alguma coisa ligada à área artística.

MB: A carreira de manequim é bem curta atualmente. Você curtiu bastante as passarelas?

IONE: Bom, com 12 anos trabalhei como manequim da "Clipper", um grande magazine, que na época era um forte concorrente do Mappin, Mesbla. Quando a Clipper fechou, a maioria da equipe do nosso departamento, muitos profissionais foram trabalhar no Mappin. Eu, inclusive, trabalhei por 10 anos, fazendo desfiles diários, depois tornei-me coordenadora de moda, relações públicas. Estudava e trabalhava feito louca, então mal dormia. Paralelamente, eu participava de alguns programas e da programação feminina da TV Gazeta através do Mappin. E assim eles ficaram conhecendo o meu trabalho.

MB: Você chegou a ter o seu próprio negócio?

IONE: Sim, em 1978 eu me demiti da empresa e montei a minha própria confecção. Vivi um tempo no exterior, trazia novidades da Europa e dos Estados Unidos. Eu me apaixonei por moda e até hoje gosto e sou assim. Cheguei até a escrever artigos de moda. Moda é fascinante.

MB: E quando veio a proposta da TV Gazeta?

IONE: Eu estava tocando a minha própria confecção quando surgiu a proposta da Gazeta, através do Fernando Vieira de Mello, um grande jornalista, que era o diretor da Rádio Jovem Pan mas infelizmente já faleceu. Na época, ele estava como sócio e um dos diretores da Rádio Trianon. Na verdade, ele foi o meu mentor intelectual e jamais vou esquecê-lo. Mas eu não queria aceitar porque estava com pena de parar o meu negócio, que já tinha mais de um ano e começava a dar frutos. E se eu não continuasse, não ia dar certo. "Se você quiser virar dondoca e pendurar o seu diploma na parede, você é quem sabe", ele me respondeu (risos). Foi ali que ele me ganhou e eu acabei aceitando a proposta do Fuad Cury, o diretor-superintendente na época. E nesse ano, completo 23 anos de TV Gazeta e Fundação Cásper Líbero. Quem diria, né?

MB: Depois de apresentar o Mulheres em parceria com Claudete Troiano, como foi comandar sozinha o Ione?

IONE: Esse era um projeto que eu queria muito: um programa semanal à noite. Fiquei durante 19 anos no programa diário (Mulheres) e saí para apresentar o Ione, que completou em agosto três aninhos.

MB: Mudando de assunto, o que você ganhou com a maturidade?

IONE: A vida para mim foi um aprendizado. E eu aprendi uma coisa muito importante. Comecei muito cedo, sendo muito perigoso para uma pré-adolescente de 12 anos. Ainda bem que recebi uma excelente orientação em casa e também desse grande amigo, Fernando Vieira de Mello. O sucesso nunca deve subir à sua cabeça. Ele é efêmero realmente. Pode até acontecer muito rapidamente para algumas pessoas. O sucesso e o insucesso caminham lado a lado. Você tem de saber disso e não deixar que isso te modifique. Essa atitude depende muito da formação que você recebeu. Não sou mais que ninguém. Para seguir uma carreira profissional tem de gostar e se dedicar ao máximo! E não é facil. Agora eu, aos 51, só tenho vantagens: uma ótima bagagem e ainda continuo aprendendo. A gente nunca deve pensar que já sabe tudo, pois até quando morremos, continuamos aprendendo. Cada degrau que eu galguei foi com muita honra, muito esforço e muita dignidade. Faria tudo de novo para chegar onde estou.

MB: Seu marido já se acostumou com a sua vida profissional?

IONE: Ele é tranquilo. A única coisa que ele estranhava no início eram as pessoas, fãs naturalmente, que o abordavam na rua. "Oi François!". Ele olhava, tentava lembrar se reconhecia a pessoa e nada. Até que a pessoa virava pra ele: "Manda um abraço pra Ione". Ah, agora sim. Ele lembrava que é o marido da Ione. As pessoas são tão naturais quando falam com a gente como se nos conhecêssemos há muito tempo. Não é uma invasão de privacidade. A televisão tem disso, te aproxima do nosso telespectador. Mas agora ele já sabe: se alguém o cumprimentar, é porque é o "marido da Ione" e não o François (risos).

MB: Dentre as inúmeras entrevistas, qual ou quais foram inesquecíveis?

IONE: Já perdi até a conta, mas entrevistei desde pessoas simples até presidentes como Jânio Quadros. Pela minha vida profissional, tive a chance de entrevistar o estilista francês Pierre Cardin, Dom Paulo Evaristo Arns, o cardeal arcebispo de São Paulo, o maestro norte-americano Ray Coniff. E inúmeros outros, ainda na linha política, passaram por mim governadores, prefeitos e suas respectivas primeiras-damas entre 1980 a 1999, além de senadores, deputados, vereadores, juízes, advogados e até o mago Paulo Coelho. Ufa! Tem muito mais.

MB: E da classe artística?

IONE: Entre os atores, autores e diretores, estão Bibi Ferreira, José Celso Martinez Correa, Antunes Filho, Paulo Autran, Marcos Caruso, Fernanda Montenegro, Tônia Carrero, Juca de Oliveira, Pauli Goulart e Nicete Bruno, Maria Della Costa, Antônio Fagundes, Eva Wilma, Louise Cardoso, Luis Gustavo, Marisa Orth, Aracy Balabanian e Tom Cavalcanti.

MB: Momentos difíceis?

IONE: Os que me marcaram foram três. A transmissão ao vivo, durante 8 horas ininterruptas, da morte de Tancredo Neves. Cobrimos também o cortejo fúnebre e funeral do nosso herói e tricampeão de Fórmula 1, Ayrton Senna. Ninguém esperava. E o último foi a morte do grupo Mamonas Assassinas, do qual eu era madrinha. Foi um choque.

MB: Assim como era a madrinha do grupo Mamonas Assassinas, outros artistas tiveram a alegria de estrearem em seu programa?

IONE: Tem uma coisa muito importante que ao longo desses anos aconteceu no Mulheres e no Ione, quantas pessoas foram lançadas. Típico primeiro programa, a gente pergunta: "de onde você veio, de onde saiu, o que faz?" e depois a gente vê aquele artista, que tinha ido ao programa, fazendo o maior sucesso. Zezé Di Camargo, sem o irmão Luciano na época, foi dos muitos que passavam tardes e tardes aqui pelos corredores da Gazeta aguardando uma chance.

MB: Qual foi a reportagem que lhe deixou bem balançada, bem impressionada?

IONE: Quando fui a Franco da Rocha (interior de São Paulo), fazer uma matéria sobre a ala feminina do Hospital Psiquiátrico Juqueri.


MB: Agora momentos alegres?

IONE: As gravações do aniversários dos programas "Mulheres" e "Ione". As estréias de cada umtambém foram inesquecíveis. Outra boa lembrança quando fizemos os programas especiais de Natal e Reveillon diretamente de Nova Iorque.

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