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Ione
Borges,
apresentadora do Pra Você,
já mostrou seu talento não
só nas telinhas. Com 12 anos, já
cantava e desfilava. Trabalhou por dez anos
como modelo e se formou em jornalismo. Na
TV Gazeta, começou como apresentadora
do Mulheres ao lado de Claudete Troiano.
Depois ganhou seu próprio programa,
inclusive com o nome 'Ione'. Antes de comandar
o Pra Você, ainda com seu programa
semanal, Ione Borges foi entrevistada pela
Revista Maturitá Brasil. Confira
abaixo os melhores momentos da entrevista.
MB:
Tem alguma outra carreira que pensou em
seguir caso não fosse manequim nem
jornalista? Ou algum sonho não realizado?
IONE:
Sonho não. Eu me formei em jornalismo
como eu queria, comecei em televisão
desde menina. E bem no comecinho, com 12
anos, já desfilava e também
eu cantava. Meu pai era músico, aliás
toda a minha família era muito musical.
Eu me apresentava em programas infantis
cantando. Sempre fui muito afinada, tanto
que, de vez em quando, dou umas cantadas
de ladinho no meu programa. Ou atriz ou
cantora. Cheguei a fazer um pouquinho de
teatro, uma "participaçãozinha"
na novela Meu Pedacinho de Chão,
de Benedito Rui Barbosa, e fiz cinema. Eu
era muito novinha. Seria sempre alguma coisa
ligada à área artística.
MB:
A carreira de manequim é bem curta
atualmente. Você curtiu bastante as
passarelas?
IONE:
Bom, com 12 anos trabalhei como manequim
da "Clipper", um grande magazine,
que na época era um forte concorrente
do Mappin, Mesbla. Quando
a Clipper fechou, a maioria da equipe do
nosso departamento, muitos profissionais
foram trabalhar no Mappin. Eu, inclusive,
trabalhei por 10 anos, fazendo desfiles
diários, depois tornei-me coordenadora
de moda, relações públicas.
Estudava e trabalhava feito louca, então
mal dormia. Paralelamente, eu participava
de alguns programas e da programação
feminina da TV
Gazeta através do Mappin.
E assim eles ficaram conhecendo o meu trabalho.
MB:
Você chegou a ter o seu próprio
negócio?
IONE:
Sim, em 1978 eu me demiti da empresa e montei
a minha própria confecção.
Vivi um tempo no exterior, trazia novidades
da Europa e dos Estados Unidos. Eu me apaixonei
por moda e até hoje gosto e sou assim.
Cheguei até a escrever artigos de
moda. Moda é fascinante.
MB:
E quando veio a proposta da TV Gazeta?
IONE:
Eu estava tocando a minha própria
confecção quando surgiu a
proposta da Gazeta, através do Fernando
Vieira de Mello, um grande jornalista, que
era o diretor da Rádio Jovem Pan
mas infelizmente já faleceu. Na época,
ele estava como sócio e um dos diretores
da Rádio Trianon. Na verdade, ele
foi o meu mentor intelectual e jamais vou
esquecê-lo. Mas eu não queria
aceitar porque estava com pena de parar
o meu negócio, que já tinha
mais de um ano e começava a dar frutos.
E se eu não continuasse, não
ia dar certo. "Se você quiser
virar dondoca e pendurar o seu diploma na
parede, você é quem sabe",
ele me respondeu (risos). Foi ali que ele
me ganhou e eu acabei aceitando a proposta
do Fuad Cury, o diretor-superintendente
na época. E nesse ano, completo 23
anos de TV Gazeta e Fundação
Cásper Líbero. Quem diria,
né?
MB:
Depois de apresentar o Mulheres
em parceria com Claudete Troiano, como foi
comandar sozinha o Ione?
IONE:
Esse era um projeto que eu queria muito:
um programa semanal à noite. Fiquei
durante 19 anos no programa diário
(Mulheres) e saí para apresentar
o Ione, que completou em agosto três
aninhos.
MB:
Mudando de assunto, o que você ganhou
com a maturidade?
IONE:
A vida para mim foi um aprendizado.
E eu aprendi uma coisa muito importante.
Comecei muito cedo, sendo muito perigoso
para uma pré-adolescente de 12 anos.
Ainda bem que recebi uma excelente orientação
em casa e também desse grande amigo,
Fernando Vieira de Mello. O sucesso nunca
deve subir à sua cabeça. Ele
é efêmero realmente. Pode até
acontecer muito rapidamente para algumas
pessoas. O sucesso e o insucesso caminham
lado a lado. Você tem de saber disso
e não deixar que isso te modifique.
Essa atitude depende muito da formação
que você recebeu. Não sou mais
que ninguém. Para seguir uma carreira
profissional tem de gostar e se dedicar
ao máximo! E não é
facil. Agora eu, aos 51, só tenho
vantagens: uma ótima bagagem e ainda
continuo aprendendo. A gente nunca deve
pensar que já sabe tudo, pois até
quando morremos, continuamos aprendendo.
Cada degrau que eu galguei foi com muita
honra, muito esforço e muita dignidade.
Faria tudo de novo para chegar onde estou.
MB:
Seu marido já se acostumou com a
sua vida profissional?
IONE:
Ele é tranquilo. A única coisa
que ele estranhava no início eram
as pessoas, fãs naturalmente, que
o abordavam na rua. "Oi François!".
Ele olhava, tentava lembrar se reconhecia
a pessoa e nada. Até que a pessoa
virava pra ele: "Manda um abraço
pra Ione". Ah, agora sim. Ele lembrava
que é o marido da Ione. As pessoas
são tão naturais quando falam
com a gente como se nos conhecêssemos
há muito tempo. Não é
uma invasão de privacidade. A televisão
tem disso, te aproxima do nosso telespectador.
Mas agora ele já sabe: se alguém
o cumprimentar, é porque é
o "marido da Ione" e não
o François (risos).
MB:
Dentre as inúmeras entrevistas, qual
ou quais foram inesquecíveis?
IONE:
Já perdi até a conta,
mas entrevistei desde pessoas simples até
presidentes como Jânio Quadros. Pela
minha vida profissional, tive a chance de
entrevistar o estilista francês Pierre
Cardin, Dom Paulo Evaristo Arns, o cardeal
arcebispo de São Paulo, o maestro
norte-americano Ray Coniff. E inúmeros
outros, ainda na linha política,
passaram por mim governadores, prefeitos
e suas respectivas primeiras-damas entre
1980 a 1999, além de senadores, deputados,
vereadores, juízes, advogados e até
o mago Paulo Coelho. Ufa! Tem muito mais.
MB:
E da classe artística?
IONE:
Entre os atores, autores e diretores,
estão Bibi Ferreira, José
Celso Martinez Correa, Antunes Filho, Paulo
Autran, Marcos Caruso, Fernanda Montenegro,
Tônia Carrero, Juca de Oliveira, Pauli
Goulart e Nicete Bruno, Maria Della Costa,
Antônio Fagundes, Eva Wilma, Louise
Cardoso, Luis Gustavo, Marisa Orth, Aracy
Balabanian e Tom Cavalcanti.
MB:
Momentos difíceis?
IONE:
Os que me marcaram foram três. A transmissão
ao vivo, durante 8 horas ininterruptas,
da morte de Tancredo Neves. Cobrimos também
o cortejo fúnebre e funeral do nosso
herói e tricampeão de Fórmula
1, Ayrton Senna. Ninguém esperava.
E o último foi a morte do grupo Mamonas
Assassinas, do qual eu era madrinha. Foi
um choque.
MB:
Assim como era a madrinha do grupo Mamonas
Assassinas, outros artistas tiveram a alegria
de estrearem em seu programa?
IONE:
Tem uma coisa muito importante que ao
longo desses anos aconteceu no Mulheres
e no Ione, quantas pessoas foram lançadas.
Típico primeiro programa, a gente
pergunta: "de onde você veio,
de onde saiu, o que faz?" e depois
a gente vê aquele artista, que tinha
ido ao programa, fazendo o maior sucesso.
Zezé Di Camargo, sem o irmão
Luciano na época, foi dos muitos
que passavam tardes e tardes aqui pelos
corredores da Gazeta aguardando uma chance.
MB:
Qual foi a reportagem que lhe deixou bem
balançada, bem impressionada?
IONE:
Quando fui a Franco da Rocha (interior
de São Paulo), fazer uma matéria
sobre a ala feminina do Hospital Psiquiátrico
Juqueri.
MB: Agora momentos alegres?
IONE:
As gravações do aniversários
dos programas "Mulheres" e "Ione".
As estréias de cada umtambém
foram inesquecíveis. Outra boa lembrança
quando fizemos os programas especiais de
Natal e Reveillon diretamente de Nova Iorque.
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