OPINIÃO - Flávio Prado

Jornalistas esfomeados.

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São Paulo (Sp) - Faz tempo que não vou a treinamentos dos clubes de São Paulo. Mas, parece que as coisas mudaram bastante. Além das modorrentas entrevistas coletivas, o relacionamento entre atletas, treinadores e imprensa está cada dia mais tenso. Antes as críticas eram fortes, porém falava-se olhando nos olhos. Na guerra atual, dessas coberturas, há um vale-tudo e muitas vezes desrespeitos, de parte a parte.
Quando a relação não é amistosa todo cuidado deve ser tomado. Vez por outra ouço falar em certos lanches, que são oferecidos pelos dirigentes, aos jornalistas. Nunca gostei dessa prática. Cartolas e profissionais devem se manter distantes. Pode ser. que o leitor imagine. que eu esteja vendo fantasmas. Não estou.

Em cabeças pequenas o lanche equivale a uma 'compra'.Isso aumenta com a forma desesperada como agem algumas pessoas da imprensa, diante da comida. Há casos de abandono do trabalho, atrás de cafés e bolachas. Sanduíches são armazenados e levados 'para mais tarde'. É vergonhoso. Fora isso, há a mendicância por convites à banquetes e outras festas especiais. Lamento.

Não quero julgar ninguém e desconheço os nomes dos esfomeados. Posso, no entanto, garantir, que essa postura depoem contra todos nós. Eu detesto esses encontros sociais e sempre dispensei os inúmeros convites que recebi. Primeiro porque não me agrada ficar entre pessoas que mal conheço e que poderei, por dever de profissão, criticar no dia seguinte. Segundo, que costumo escolher a comida que ingiro e isso não ficaria bem em tais casos.As festanças, por serem eventuais, até são toleráveis, embora eu abra mão delas. Já no dia a dia, pelo que sei, as empresas pagam seus funcionários e cada um deveria cuidar de se alimentar por conta própria.

Se quiserem oferecer algo, que seja, no máximo, uma água ou um café . Pães, bolos, sanduiches, etc, são altamente dispensáveis. Especialmente quando usados, repito, como moeda de troca Camisas, almoços, jantares, etc, etc, então, só servirão para diminuir a respeitabilidade dos beneficiários dentro dos clubes. Não vale à pena e não deveria ser dessa forma.

Com cada um do seu lado a respeitabilidade ficaria intacta. Não creio que, os jornalistas esfomeados, imaginem que estejam se vendendo por tão pouco. Todavia, asseguro que, para muita gente de dentro dos clubes, eles estão, sim, sendo comprados.


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