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HISTÓRIA DA TV - DÉCADA DE 80
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Com o abrandamento da censura, o jornalismo volta a conscientizar

Diretas Já (Foto reproduzida do livro "50 anos de TV"  (vide Bibliografia)Com o abrandamento da censura militar no início dos anos 80, os programas jornalísticos ganharam novo fôlego e retomaram a tentativa de formação de uma consciência coletiva nacional. Os telejornais deixaram de ser somente informativos e passaram a discutir idéias e opiniões. Os debates, em programas juvenis e de entrevistas, passaram a focar o esclarecimento.

Marília Gabriela no TV Mulher (www.gabi.com.br)A partir do surgimento do programa TV Mulher, da Rede Globo, os programas femininos adquiriram diferentes formatos e foram muito veiculados em todas as emissoras, não se restringindo mais aos problemas domésticos e incluindo discussões como os direitos da mulher, o posicionamento feminino na sociedade e a mulher como profissional.


Importantes programas de entrevistas ou debates surgiram durante a década, expressando temas que traduziam o pensamento intelectual brasileiro.

Além das grandes coberturas esportivas nacionais e internacionais, o jornalismo também foi responsável por transmissões de grande repercussão social no país, como as campanhas das Diretas Já, da Anistia Política e da Constituinte. Os noticiários passaram a fazer denúncias de todo tipo e o jornalismo desencadeou um processo de formação de opinião que culminou, no final da década, com a eleição de um político desconhecido para a presidência do país (o alagoano Fernando Collor de Melo), eleito também pela força de manipulação da mais poderosa emissora de televisão do país, a Rede Globo.

Com o retorno do poder civil, o humor voltou a criticar a política e a economia brasileira. Assim, após tanto tempo em silêncio, o humorismo pôde utilizar a sátira político-social com força total. Nesse período, a telenovela passou a ter diversos diretores: geral, de gravação de núcleos, de elenco e de imagem. Em relação ao texto, além de adquirir uma forma de expressão bastante livre, exibindo qualquer tipo de assunto, contou, ainda, com a introdução do autor-colaborador que, dentro da idéia original do autor principal, criava novas tramas.

No início da década de 80, a Bandeirantes já contava com três novelas diárias em sua programação, à semelhança de sua principal concorrente da época, a Globo, com a qual pretendia competir em pé de igualdade, inclusive do ponto de vista da produção. A transmissão esportiva consagrou-se como carro-chefe da emissora a partir de 1984, com a estréia do Show de Esporte, a maior concentração de programas esportivos da televisão brasileira, ancorado pelo narrador esportivo Luciano do Valle.

As emissoras educativas aumentaram suas atrações de entretenimento cultural e dinamizaram o jornalismo, popularizando mais suas atrações e diminuindo a emissão de aulas, para atingir um público maior.

Outra novidade foi o surgimento das produtoras independentes de vídeo que realizaram reportagens, shows e seriados. Algumas venderam seus produtos para emissoras comerciais. Outras alugaram horários em determinados canais e apresentaram o que produziam, inclusive nas TVs a cabo que começaram a se espalhar pelo país.

Silvio Santos em seu programa "Roletrando"A TV Tupi, apesar de pioneira na chegada da televisão, passou por situações difíceis, inclusive por greves, até que o empresário Sílvio Santos a comprou em 1981. Sílvio Santos, conduzindo seu programa de auditório aos domingos, abriu uma financiadora, lojas de departamento e passou a vender o conhecido carnê do Baú da Felicidade. Ele não se preocupava com o Ibope e queria que seu programa fosse diferente dos outros. Com o desmoronamento da TV Tupi e de outras emissoras de televisão que integravam a Rede Associada, surgiu uma grande oportunidade de se criarem novas alternativas para a televisão brasileira. O governo federal anunciou, no dia 23 de julho de 1980, a abertura de uma concorrência para a exploração de duas novas redes de TV. Diversos grupos empresariais, a maioria voltada ao setor de comunicações, demonstraram interesse pelas novas redes. A briga pelas concessões estendeu-se por mais de um ano, quando, finalmente, o governo escolheu os novos concessionários: a rede "A" foi confiada a Sílvio Santos e a rede "B", a Adolpho Bloch.

Os contratos definitivos foram assinados no dia 19 de agosto de 1981. Sílvio Santos inaugurou seu Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) no mesmo dia, transmitindo, ao vivo, este momento histórico da televisão brasileira. Já com Adolpho Bloch, a trajetória foi diferente. Bloch investiu maciçamente em qualidade, inaugurando a Rede Manchete quase dois anos depois da assinatura do contrato. Sem aproveitar praticamente nada do que herdou das antigas concessões, revolucionou a televisão brasileira com uma programação voltada para as classes mais elevadas, com filmes e séries premiadas.

Com a extinção da TV Tupi, em 1980, a Record passou a liderar juntamente com a TVS (TV Studios) do Rio de Janeiro, a REI (Rede de Emissoras Independentes), composta em sua maioria por emissoras que pertenciam à Tupi, inclusive o canal 4 de São Paulo. Apesar de sua grande queda no ranking das emissoras, devido à chegada do SBT e ao crescimento da Bandeirantes, a Record ainda investia e visava à cobertura total do estado de São Paulo.

Nesse período, a Record tinha em sua grade o Perdidos na Noite, com Fausto Silva e Dercy aos Domingos, com Dercy Gonçalves. O jornalismo foi reforçado, com a entrada de Dante Mattiussi na direção do departamento e, colocando no ar o Jornal da Record, inicialmente comandado por Paulo Markun e Silvia Poppovic. Em 1988, a terceira geração da família de Paulo Machado de Carvalho assumiu o controle da emissora e, juntamente com Sílvio Santos, decidiu colocá-la à venda. Em 1989, foi concretizada a venda da emissora para o líder da Igreja Universal do Reino de Deus, o bispo Edir Macedo. Nessa nova gestão, a Record ampliou seu raio de cobertura para todo o Brasil, recuperando de vez a sua tradicional posição no ranking da audiência.

XuxaEm janeiro de 1985, a Manchete lançou a modelo Xuxa na televisão, apresentando o Clube da Criança. A primeira novela produzida pela emissora, Antônio Maria foi lançada em agosto do mesmo ano, junto com a série Tamanho Família. Nenhum dos dois emplacou. Sem conquistar boas audiências, Adolpho Bloch aprovou o lançamento de alguns programas humorísticos e populares, apresentados por Pepita Rodrigues, Carlos Eduardo Dollabella e Miéle.

Em fevereiro de 1986, a Manchete já amargava um prejuízo de US$ 80 milhões e uma dívida beirando US$ 23 milhões. Sete meses depois, a emissora sofreu a primeira greve por salários dos funcionários.

Mais uma grande revelação da televisão brasileira é descoberta na Manchete: a apresentadora Angélica. Em abril de 1987, a emissora a inclui no elenco do infantil Nave da Fantasia. Na época com apenas 13 anos de idade, Angélica foi aos poucos ganhando fama e mostrando o seu talento, até ocupar definitivamente a vaga de Xuxa dentro da emissora, apresentando o Clube da Criança e o programa musical Milk Shake.

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