Memória Gazeta

22 Novembro 2011

Década de 1980

Posted in Fatos históricos

 

A TV Gazeta, nos anos 1980, passou por diversas fases. É possível afirmar que foram vários tipos de TV numa mesma década.

Em 1980 grandes mudanças já ocorrem na programação. Seguindo uma nova linha, atrações com quase uma década, como o “Programa Carlos Aguiar” e “Clarice Amaral em Desfile” dão lugar a novos programas. No caso do último, a TV Gazeta remodela o formato do programa feminino, substituindo Clarice Amaral por uma dupla: Ione Borges, que era responsável pelos desfiles das Lojas Mappin na atração, e pela jornalista Ângela Rodrigues Alves – que logo sai do programa, assumindo Claudete Troiano. Assim “Clarice Amaral em Desfile” se transformou em “Mulheres em Desfile”.

Nesta época a direção da TV Gazeta estava sob o comando de Fuad Cury, que falece em acidente em um acidente de moto. Curiosamente, anos antes, em 1978, o primeiro diretor geral do canal 11, Marco Aurélio Rodrigues da Costa, também faleceu de acidente no trânsito – foram duas perdas que abalaram muito os profissionais da emissora.

Em 1984 a TV Gazeta faz uma parceria com a Abril Vídeo, braço voltado à produção audiovisual da Editora Abril, que implanta um jornalismo forte no canal 11. Surgem nomes como Silvia Poppovic, Paulo Markun, Luís Nassif (que fez depois o “Dinheiro Vivo”) e Alexandre Machado (que muito em breve se consagraria com “Vamos Sair da Crise?”).

Na mesma época, o horário das onze horas da noite e madrugada é alugado para produções independentes de Goulart de Andrade, que inaugura o programa “23ª Hora”. É nesta atração que além de seus programas, Goulart de Andrade traz para televisão brasileira nomes como Fausto Silva (com seu “Perdidos na Noite”, em 1984) e jovens produtores independentes da produtora Olhar Eletrônico (hoje O2 Filmes), como Fernando Meirelles e Marcelo Tas. Os videomakers trouxeram para TV Gazeta programas como “Crig-Rá!”, com Sandra Annemberg, e “Olho Mágico” – mais tarde foram criadores do conhecido “TV Mix”.

Ainda no campo da produção independente, no mesmo ano o colunismo social de Tavares de Miranda ganha um apoio jovem com a aparição de Amaury Jr., que inicia na TV Gazeta seu programa “Flash” (nome que anteriormente pertencia a outra atração da TV Gazeta e que acabou por virar marca do apresentador).

Encerrada a parceria com a Abril Vídeo, em 1985 a TV Gazeta se dedica a uma linha jornalística voltada à cidade, sob o slogan “De São Paulo Para São Paulo”, tendo na direção da emissora Sérgio Felipe dos Santos.

No mesmo ano é montada, com o apoio da Rede Globo, a nova torre da TV Gazeta, que também retransmite o sinal do canal 5. A torre é a primeira iluminada na Avenida Paulista, virando assim como o calçadão do Edifício Gazeta um dos símbolos da cidade.

A criança também teve espaço na TV Gazeta dos anos 1980. Inicialmente com “Pulmann Jr.”, que já existia, e depois, em meados da década, estreou “Brincando na Paulista”. Primeiro com Wandeko Pipoka e depois com os palhaços Atchim e Espirro. Grande sucesso da TV Gazeta. Com a mudança de canal da dupla, o palhaço Tic-Tac (ex-“Bambalalão”, da TV Cultura) veio para emissora.

Foi também nesse período que a Mesa Redonda saiu das segundas-feiras e foi para os domingos, agora sob o comando de Roberto Avallone. A atração ganhou o formato atual, passando a se chamar “Mesa Redonda: Futebol Debate”, com a presença de nomes como Regiani Ritter, Chico Lang, Milton Neves e muitos outros. É criado também o programa “Gazeta Esportiva” no final da década e no "Mesa Redonda" a jovem Mariana Godoy apareceu pela primeira vez no vídeo.

Ainda no esporte, a Corrida Internacional de São Silvestre mudou de horário e passou da meia noite para o horário da tarde do dia 31 de dezembro.

O programa “Mulheres em Desfile”, com Ione e Claudete acabou se tornando a principal atração da TV Gazeta. Todas as sextas-feiras o programa era especial, com auxílio de um auditório lotado de “parceirinhas”. Anualmente as festas de aniversário do programas superlotavam o Auditório do Anhembi. No campo feminino ainda esteve na emissora nesta década “Revista Feminina”, com Maria Thereza Gregori, e foi criado na emissora o programa de culinária “Forno, Fogão & Cia.”, em 1982, produzido por Geraldo Rodrigues.

Em 1987 surge o TV Mix, faixa de programas jovens, num misto de entretenimento, informação e humor. TV Mix I e TV Mix II pela manhã e TV Mix III e TV Mix IV a noite. O programa foi primeiro dirigido por Fernando Meirelles e numa segunda fase por Tadeu Jungle. Nomes como a Condessa Giovana, Serginho Groisman, Astrid Fontenelle, Marcelo Mansfield, Giovanna Gold, Aline Sassahara surgem na atração. E são criados, sob coordenação do diretor de jornalismo Marco Antônio Coelho, os “pais” dos vídeo-repórteres: os “repórteres-abelha”, um grande time que saía atrás das notícias com uma câmera no ombro. Rogério Gallo, Ana Muylaert, Alê Primo (com o “Câmera Aberta”) fazem parte desse exército de repórteres, que modificam a linguagem das reportagens externas na TV brasileira.

Mas a TV Gazeta também virou uma emissora musical, sendo uma grande difusora dos primeiros vídeo-clipes e divulgando novas bandas que tocavam e eram entrevistadas nos programas da emissora. Destaque é primeiro do “Realce”, com Beto Rivera, que mais tarde se transformou em “Clip Trip”, e depois do “Realce Baby”, só de clipes. Não podemos esquecer do seu inconfundível parceiro: o boneco Capivara, manipulado por Sérgio Tastaldi, que também fez um programa solo de bonecos chamado “Lig-o-Plug!”.

Um programa também foi importante nesse final de década: “Paulista 900”, com Paula Dip. Um talk-show que primava pelo modo inteligente e irreverente como a apresentadora deixava seus entrevistados à vontade na bancada da atração.

Em 1989 o canal 11 começou uma nova fase, cuja campanha da “TV desindexada” divulgava a importância da Gazeta ser uma televisão diferenciada, com uma programação descolada de que qualquer tipo de rótulo que a TV aberta a colocasse.

No mesmo ano, sob a mediação de Alexandre Machado, a TV Gazeta realizou um debate histórico entre candidatos ao Governo do Estado, chamado “Tribuna Livre”. Este debate foi o primeiro a ter e definir o formato utilizado até hoje por todas as emissoras. Foi criado nele o sistema de réplicas e tréplicas, com a cronometragem de perguntas e divisão em blocos.

A TV Gazeta saiu dos anos 1980 mais forte, reconhecida e experiente.

 

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